13/02/2026

Mario Wakes Up... EXPANDED!

 

Vou aproveitar que hoje é sexta-feira 13 pra compartilhar algo curioso: semana passada eu tive uma experiência de quase morte (sendo dramático). O querido aqui precisou viajar 200km pra estudar em outra cidade, só que comeu algo estragado dias antes e acabou tomando soro no hospital. Naquele momento eu estava sozinho e com medo. Bom, pelo menos ganhei XP.

A hack de hoje foi feita por MATTAN e compartilhada na internet em 2008.
Preparem-se! A resenha está começando agora.


Como uma linda tradição européia (espera, o quê?) toda sexta- feira 13 a Nintendo Purple publica uma resenha macabra fora de época. A estrela da semana é a versão estendida de uma entrada para o 2008 Ghost House Contest da SMWC. Isso significa que o pessoal gostou tanto na época que o autor resolveu encher linguiça com uma atualização* que ninguém esperava.

A história é basicamente a seguinte: Mario estava de boa dormindo na casa de alguém no meio do mato até que bateu aquela vontade de mijar. Quando retornava do banheiro começou a ver coisas estranhas e nesse momento já não sabia mais se estava acordado ou não.

*Não existe atualização porcaria nenhuma: EXPANDED é um trocadilho sexual.


Como podem ver acima o padrão dos mapas nessa época não eram dos melhores. Apesar de ser uma planície sem graça e sem decoração, o mapa cumpre efetivamente seu papel. Iniciamos no estágio principal do qual possui duas saídas: pra frente é normal, pra direita é secreta. 

Pode parecer bobagem mas eu adorei a introdução, por mais cagada que ela seja. O autor deve ter explorado bem o ex-animation ao ponto de causar pânico na memória gráfica. Como eu sei? Desative a camada 1 no emulador e veja várias listras pretas dançando no topo da tela.

Graficamente, é uma hack baunilha. Por alguma razão Mario está dormindo em uma Ghost House, porém as cores úmidas criam uma atmosfera mais sinistra. A trilha sonora é discreta ao ponto de você não se importar tanto. Se você é daqueles que adora sangue, seja bem vindo.


O estágio em si não é complexo, mas desenhado pra contar uma história de terror usando elementos da gameplay. O fato que o autor incrementou o cronômetro pra 600 segundos não impediu dele mesmo quebrar a imersão dos jogadores com certas decisões no level design. O primeiro é o cronômetro, o segundo é um quebra-cabeça estúpido pra fazer você jogar mais.

O problema do cronômetro é que isso cria uma sensação de urgência. Jogos de terror apenas usam o cronômetro em situações de vida ou morte. A narrativa da hack diz que os inimigos tem todo o tempo do mundo pra torturar Mario, já que ele está preso no sonho. A única explicação pra isso tudo é que o nosso herói está desvairando enquanto dorme ou coisa parecida.

Curiosidade: o autor terminou o próprio level restando 200 segundos.
Adivinha com quanto eu terminei...

Pensou que seria fácil?
Sabe de nada, inocente.

A respeito da narrativa, ela é bem interessante.
Permita-me comentar sobre.

Tudo começa quando Mario acorda pra fazer alguma coisa, mas logo percebe que tem algo estranho em sua casa. Ele descobre uma área que não conhecia e decide explorar. Entretanto, ao meter onde não deve ele acaba descobrindo que não existe de fato uma saída: ele está sonhando e não consegue mais acordar. Seria tipo... coma induzido através de magia negra.

É revelado então que o inimigo está controlando o pesadelo do Mario. O autor fez questão de usar uma área mais cósmica pra destacar a importância da mesma, isso foi legal. Nesse momento Mario "acorda" em uma versão sangrenta de sua casa. Os inimigos se revelam banhados em sangue, com faces distorcias pelo sadismo. É nesse momento que Mario encara de frente.


Logo na metade do estágio encontramos o que eu considero o ponto crucial: o enigma da sala cinzenta. É uma sala cheia de pilares cinzas do qual você entra pelo chão. Existe um cogumelo pra dizer que é possível saltar em plataformas e inimigos escondidos atrás de decorações. Existe dois troncos azuis muito estranhos  e uma porta que reinicia a sala caso você não saiba o que fazer.

É um ponto crucial porque comicamente destrói o flow da experiência. Imagine que você está correndo a mil por hora e do nada surge uma casa com um objetivo mais lento e confuso. Parece coisa de desenho animado, não é? Eu morri três vezes até perceber o que era pra fazer nesta sala e suponho que alguns jogadores desistiram por falta de paciência.

Mas acredite: não é culpa do jogador.
O autor fez uma bela sacanagem.

Pra você avançar é preciso pegar uma molinha verde escondida, saltar no teto falso e só então ativar o P-Switch azul escondido na decoração. Após isso você retorna ao começo (esquerda), acessando uma porta azul que surge por alguns segundos. Esse é a sacanagem: os sprites estão escondidos. Caso você não saiba o que fazer o cronômetro vai tirar a sua vida injustamente.

Tipo... eu entendo perfeitamente que o esquema aqui é torturar o jogador porque é um pesadelo mas de certa forma a ausência de indicadores me incomoda. Pode ser algo específico da minha parte, mas quando o jogo oferece um problema mas esconde as alternativas o jogador acaba tentando resolver com tudo aquilo que ele encontra. Se o jogo não mostra, é porque não existe.

Conseguem ver agora o nível da sacanagem?

Após esta sala inicia o terceiro ato, logo na máquina do tempo. Não sei se a máquina do tempo é real ou apenas uma manifestação, mas de fato após o uso Mario retorna ao começo do estágio (antes de encontrar os fantasmas pela primeira vez). Dessa forma, ele faz um atalho do qual para poder acordar será preciso retornar aos cosmos e enfrentar o chefão fantasma.

A batalha é rápida e simples. O desafio é que você precisa conhecer a vasta arena do fantasma, cheia de cascatas imaginárias e espinhos. Para derrotar-lo é preciso pegar três blocos e o resto você já sabe. Após isso Mario entra por uma porta amarela, acorda e segue o dia normalmente... até que um fantasma o ataca após a Goal Tape. Nisso fica a pergunta: Mario realmente estava dormindo?


Geralmente em jogos de terror (principalmente os de sobrevivência) existe uma certa escassez de kit médico, forçando o jogador a ser cauteloso com o que ele tem. Aqui os cogumelos servem como pseudo-checkpoint, ou seja, pra evitar que jogadores mais desastrados morram quando não é pra morrer. Isso é um ponto positivo, o autor acertou na mosca.

Porém em certo ponto (e isso é um segredo) o autor dá pro jogador uma Feather. Não só o poder é o mais poderoso do jogo como não existe razão pra usar. Os inimigos não morrem facilmente e os fantasmas são imortais. Cheguei então a conclusão que o autor fez isso porque ele queria dar uma leve sensação de satisfação ao jogador, como se ele tivesse batendo palmas para nós.


Como estamos falando de algo feito na época que pessoas usavam Nokia não tem muito o que dizer a respeito do projeto. É complicado avaliar uma entrada de terror como se fosse uma mini-hack, mas eis me aqui. O projeto possui uma premissa interessante, mas a execução me pareceu um tanto reciclada. O primeiro e o segundo ato estão separados por um quebra-cabeça sacana.

Por esse mesmo quebra-cabeça deixa um gosto amargo na boca porque não só quebra o ritmo de urgência do jogo como parece ser uma tentativa do autor em fazer o cara permanecer mais tempo no level. Isso que sequer comentei sobre os inimigos pretos no começo do jogo (eles se camuflam no cenário de alguma maneira).

Se você visitar a página do evento vai perceber que não apenas o autor estava confiante que iria vencer, como reconhecia o trabalho de outros participantes. Um destes trabalhos era nada mais do que The Hunt, outra hack já comentada no website. Se você jogou as duas vai perceber que ambas se completam porque no que X errou Y acertou e vice-versa.

Mario Wakes Up Expanded é definitivamente uma hack de terror que infelizmente não assusta mais ninguém. Com a desgraça que assistimos na internet a realidade se torna mais assustadora do que o imaginário. De qualquer maneira, a hack de hoje é perfeita para aqueles que sentem saudade do tempo que visitavam os primos pra jogar Super Mario World no Playstation 2.

Dá pra subir na cabeça do bicho.
F-faleceu?

Pontos Positivos:
+ Jogo rápido, fluxo intenso.
+ Existe uma pequena atmosfera assustadora.
+ Vários pega-ratão.

Pontos Negativos:
- Sistema nativo do cronômetro quebra a imersão.
- O enigma da sala cinzenta é horrível.

Sugestões:
* Sem comentários...

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Dificuldade:                      
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Gráficos:                           
Jogabilidade:                    
Trilha Sonora:                  
Criatividade:                    
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Nota final:         
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Download: SMWcentral.net

Esse ano o website faz 3 anos de aniversário e só agora percebi um detalhe.
Todo esse tempo a coluna de notícias estava invisível. DOH!