Séculos atrás um carinha lançou uma demonstração de uma hack chamada Ninja Jump Alpha. Como o nome sugere, é uma aventura na qual você controla um ninja, corre como um ninja e salta como um ninja. Não sei o que outras pessoas acharam, mas pra mim... foi algo realmente muito legal. Você sabe o quão irado é jogar como um ninja? Você não, Mario Gives Up 3.
Passa outro século na minha vida e surge Ninji Burst, a versão completa dessa mesma hack que eu acabei de falar. Não só essa versão é completamente diferente da versão inicial, como também é mais legal, mais bonita por demais e pra variar é mais difícil, também. Pois é: o tempo passa e a influência afeta totalmente a direção artística do autor. 13 ANOS, MINHA GENTE!
A propósito, a hack foi produzida por 1UPdudes.
Prontos? Já sabem quem fez a hack? Vamos começar a resenha então.
Antes de mais nada vamos começar deixando claro que o plot de resgatar os amigos capturados foi ignorada. A história agora é que nosso herói sem nome precisa capturar a essência preciosa do Karat Kore (que por sinal é uma cenoura dourada). Logo no começo o protagonista falha, sendo capturado pela gangue má Nasty Ninji horas depois. Não deu outra: o cara consegue fugir.
A primeira coisa que o herói faz é retornar pra casa, da qual ele come a esposa e recebe dicas valiosas do seu filho minúsculo. O pequeno ninja diz que o pai deve coletar quantas cerejas ele encontrar porque são deliciosas (deu pra ver que aí tem coisa). O que o guri se esqueceu de avisar é que coletar as tais cerejas durante os estágios requer um nível de habilidade absurdo.
Se você fingir que o jogo é uma alucinação do protagonista...
... a coisa fica mais sinistra, mano.
O esquema da jogabilidade é focar em obstáculos. São poucos estágios e cada um deles introduz alguns inimigos em situações variadas... pra testar a sua habilidade e também a sua paciência. Alguns vão dizer que é Kaizo, mas não é bem assim não. Os obstáculos são desafiadores e testam a sua experiência com o controle de Super Nintendo. Porém a dificuldade nem sempre é justa.
Os dois primeiros estágios são os mais fáceis (comparando com os demais), daí o terceiro é um pouco mais difícil e o quarto é aquele tipo de estágio que faz jogadores passar raiva. No momento em que eu vi um estágio com autoscroll no céu e a única coisa que eu podia me salvar era um bloco de nuvem do tamanho do protagonista (16x16) pude perceber o fator cheap.
É possível ver o autor apelando quando esta mesma nuvem se esconde atrás do Layer 3 de nuvem branca-sólida. Se lembram daquele estágio do Airman? É quase aquilo, só que não existe espaço seguro para se movimentar. Tipo... você realmente quer que o jogador morra, não é? Posso até entender quem defenda esse tipo de obstáculo, mas outras falhas são difíceis de ignorar.
Qual falha, você me pergunta? Pois bem. Logo no começo da aventura encontramos NPC's e ninja inimigos. O problema é que ambos possuem o mesmo visual do protagonista, como se fossem clones. Se os ninjas malvados tivessem olhos de outra cor (como vermelho) ou se o protagonista fosse, sei lá... rosa. Eu entendo que houve um sacrifício pela estética, mas valeu a pena?
Outra novidade (porém limitada) são habilidades exclusivas de ninja. Infelizmente não tempos a oportunidade de disparar shurikens na horizontal, mas conseguimos escalar/saltar paredes. É uma mecânica principal do jogo, não tem como escapar. O único defeito é que você não escala de verdade, apenas salta e fica grudado na parede. Existe um bug sinistro, mas já vou explicar.
Pro ninja "escalar" a parede basta fazer um pequeno salto após pressionar cima ou baixo. Os mini pulinhos são engraçados, eu gostei. O protagonista pode ficar quantos minutos quiser grudado na parede, afinal não existe tempo nesse jogo e como ele é um ninja ele pode tudo. Ás vezes o personagem faz um salto e não gruda, daí ele cai. Quando cai , se esquece como se faz.
Maluco pensa que é Celeste.
Na imagem acima temos um amigo que se esconde em cada estágio. Se você tiver a coragem de encontrá-lo antes de alcançar o checkpoint vai se deparar com um papo furado dos brabos. Adoro quando o jogo não explica muita coisa, só pra causar mistério. A parte mais cheap é que ás vezes a entrada secreta desse cara fica, tipo... quase fora do alcance da câmera do jogo.
Daí no meio do vuco-vuco ou você sobrevive ou fica procurando pela entrada.
Nem todos jogadores possuem a destreza pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Falando nisso, o jogo não gosta muito desse lance de indicadores. Logo no segundo estágio temos um vasilhame que cospe ninjas infinitos. Não importa se a silhueta é pequena ou não: o visual do inimigo é o mesmo da decoração. A mesma sacanagem ocorre com o Donut Block que sobe/cai: as cores que diferenciam são similares. O cara só descobre o sobe ou desce se tiver um bom olho.
Enquanto a questão visual obteve uma direção minimalista a trilha sonora resolveu compensar com uma carga pesada. Faixas aleatórias no bom e velho chiptune, com uma qualidade jamais vista antes. Se você pensou que o AMK não poderia fazer milagre, bom... eis aqui uma bela surpresa. Se antes a música tinha que combinar com o estágio, agora ela apenas existe.
Existe e funciona como um MP3 player. Aproveitando o tempo infinito proposto pela hack nada mais justo do que ficar imóvel no início de um stage para aproveitar o momento. O mapa também possui uma referência que apenas os mais cult vão perceber: é um remix retrô de Brother Louie, uma música dos anos 80 que (provavelmente) seu pai já dançou.
Você deve estar se perguntando... o que acontece depois do último chefe, não é mesmo? Bom, como o objetivo do nosso herói é diferente logo não existe rival pra ser derrotado. Entretanto, após superar os últimos quatro stages somos beneficiados com uma cutscene final engraçada (é meio bobinha, pra ser honesto) e logo então o jogo mostra que existe um desafio secreto.
Se lembra daquele Ninji escondido da sala rosa? Pois é. Se você tiver culhão pra encontrá-lo em cada um das fases antes do checkpoint irá receber parte de um código. Esse código é na verdade a sequência correta das portas do Enigma Grotto, o penúltimo estágio. Como eu sou uma pessoa boazinha eu vou compartilhar com vocês, assim quem não tem paciência pode curtir também.
6-4-1-2-5-3
O prêmio final é na verdade o desafio mais sacana possível. O autor quer que você, o jogador, re-jogue todos estágios em sequência sem checkpoint. Pra disfarçar um pouco o jogo inverteu as cores, assim você percebe que a parada ficou séria de verdade. Não é lá criativo e dá pra perdoar o autor da hack porque tudo isso é opcional. Só pelo esforço eu esperava algo melhor, sabe...
É muito chato você aceitar o desafio de uma hack que gira em torno de escalar paredes e perceber que a mecânica principal possui falhas que vão matar o jogador. Isso se torna evidente durante o estágio secreto onde cada erro é fatal: não importa o quão habilidoso você seja, morrer por uma falha do próprio jogo é desmotivador. Não consegui finalizar o estágio secreto.
Mesmo com seus tropeços e visuais questionáveis, a hack de hoje é uma boa escolha para aqueles que curtem se desafiar, não importa o perrengue. Se o jogo original não é difícil pra você, que tal experimentar Ninja Burst? Aposto que vai se divertir, nem que seja por meia hora. Essa foi mais uma resenha muito louca acabando... agora!
Foi o máximo que consegui, ok.
Pontos Positivos:
+ A melhor parte do jogo é a trilha sonora.
+ Visuais minimalistas inspirados no ninja mais descolado do Subcoon.
Pontos Negativos:
- Não existe diferença visual gritante entre ninjas amigos e ninjas inimigos.
- Dificuldade alta impede casuais de encontrar segredos antes do checkpoint.
- Em nenhum momento encontrei justificativa pra usar chip especial SA-1.
Sugestões:
* O estágio INVERTED PERFECTION poderia ter obstáculos mais originais.
* Consertar o Walljump vai melhorar a experiência.
----------------------------------------------
Dificuldade: ★★★★★
----------------------------------------------
Gráficos: ★★☆☆☆
Jogabilidade: ★★★☆☆
Trilha Sonora: ★★★★★
Criatividade: ★★★☆☆
----------------------------------------------
Nota final: ★★★★★★★☆☆☆
----------------------------------------------
Download: SMWcentral.net
Quase três meses sem fazer uma resenha, eh? Que loucura.
A bruxa aqui tá ON.








